Alga na piscina: onde ela se instala e o que muda no tratamento
Alga na piscina nem sempre deixa a água verde. Muita piscina está com a água aparentemente boa e com alga instalada na parede, nos degraus e no rejunte — o ponto em que o cloro circula menos e onde a escova quase nunca passa. Esta página trata do organismo e do tratamento: como reconhecer alga verde e alga amarela, por que a escovação é parte do tratamento e não um detalhe, e por que ela volta quando só se aplica produto.
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Alga é um organismo vivo, e é isso que muda tudo. Ela não está boiando à espera de ser filtrada: está grudada, se reproduzindo e se protegendo. Enquanto houver colônia aderida em algum canto da piscina, ela repovoa a água sempre que o cloro cair.
Por isso alga não se resolve só com dose. Resolve-se com três coisas ao mesmo tempo: soltar mecanicamente o que está aderido, manter cloro ativo por tempo suficiente e corrigir o que deixou o cloro cair — que costuma ser pH alto, filtração curta ou uma zona morta de circulação.
Como identificar o tipo
| Sinal | Alga verde | Alga amarela (mostarda) |
|---|---|---|
| Aparência | Verde em suspensão, deixando a água esverdeada, ou manchas verdes na parede | Pó ou véu amarelado, cor de mostarda, quase sempre em áreas de sombra |
| Velocidade | Espalha rápido, muda a cor da piscina em dias | Espalha devagar e passa semanas despercebida |
| Resposta ao cloro | Cede com correção de parâmetros e choque | Bem mais resistente; pede dose de choque maior e algicida específico |
| Depois de escovar | Some e a água turva por algumas horas | Parece sair, e volta no mesmo ponto em um ou dois dias |
| Confusão comum | Água esverdeada por metal dissolvido | Poeira decantada ou pó de areia do filtro |
O teste que o setor usa para separar alga de sujeira: escove o ponto e observe. Alga aderida volta exatamente no mesmo lugar; sujeira decantada não volta ao mesmo ponto.
Onde a alga se instala
Quase sempre nos mesmos lugares, e nenhum deles é o meio da piscina:
- Rejunte de azulejo e pastilha. A superfície porosa dá agarre e o cloro chega com dificuldade ao fundo da junta. Em piscina antiga de casarão, com rejunte já desgastado, é o ponto de partida mais comum.
- Degraus e escada. Cantos internos, quinas e a parte de baixo do degrau, onde a água praticamente não se move e onde ninguém escova.
- Zonas de pouca circulação. O canto oposto ao bico de retorno, atrás da escada, a região do ralo de fundo em piscina com hidráulica antiga. Faça o teste de onde a folha costuma ficar parada: ali a água não circula, e ali a alga começa.
- Áreas de sombra. Debaixo de deck, da borda saliente, do trampolim — e em piscina sob árvore, comum em Casa Forte, Poço da Panela e Aldeia, onde a sombra é permanente. É especificamente onde a alga mostarda gosta de começar.
- Linha d'água e limite da lâmina. A faixa de gordura e protetor solar acumulada ali serve de proteção e de alimento.
- Dentro do equipamento. Cesto do skimmer, mangueira do aspirador guardada úmida, bocal de aspiração. Piscina que se recontamina toda semana às vezes está sendo reinfectada pelo próprio material.
Por que escovar não é opcional
Alga aderida forma uma película sobre si mesma. O cloro e o algicida agem por contato, e essa película é justamente uma barreira de contato: o produto passa por cima e a colônia continua viva debaixo dela. Em alga amarela e, principalmente, em alga preta, aplicar produto sem escovar antes é desperdício quase completo.
A escovação rompe essa barreira e expõe a colônia. É por isso que a ordem certa é escovar e depois aplicar, nunca o contrário — e é por isso que uma escovação sozinha, sem manter cloro ativo depois, também não resolve: você soltou a alga na água e ela vai se reinstalar.
A escova certa depende do revestimento. Vinil não aceita escova dura nem produto aplicado direto sobre a manta; fibra risca com cerda rígida; alvenaria com azulejo aguenta mais, mas o rejunte não é eterno. Existe divergência real entre fontes sobre usar escova de aço em alvenaria: parte recomenda para romper a camada protetora, parte afirma que ela destrói o rejunte progressivamente. Em caso de dúvida sobre o seu revestimento, pergunte antes de comprar a escova.
O que fazer agora
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Escove tudo, com atenção ao que ninguém escova
Parede, fundo, degraus, quinas, linha d'água e a área de sombra. Vá especialmente aos pontos onde a mancha volta. Escovar a piscina inteira e pular os degraus é o roteiro mais comum de tratamento que falha.
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Meça e corrija antes de aplicar produto
Alcalinidade total para 80 a 120 ppm primeiro, porque é ela que segura o pH; depois pH para 7,2 a 7,6. Com pH acima de 7,8 o cloro perde boa parte da eficácia, e você estará tratando alga com cloro pela metade. Essa é a etapa que separa tratamento que funciona de tratamento que consome produto.
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Aplique o choque, na dose cheia
Fim da tarde ou à noite, com a filtração ligada, para o ultravioleta não queimar o cloro antes de ele agir. Para alga amarela o setor trabalha com dose bem maior que a de rotina — a literatura cita algo em torno de quatro a cinco vezes a dose normal de choque, o que é regra prática de mercado e não norma. A dose exata sai da embalagem do produto que você tem em mãos.
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Mantenha o cloro alto e continue escovando
Não é uma aplicação e pronto. A alga cede quando o cloro fica alto por tempo continuado, normalmente algo entre 24 e 48 horas, com escovação repetida no meio do processo. Filtragem rodando o tempo todo.
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Algicida, se for o caso, e sempre separado
Algicida de manutenção é preventivo, em dose pequena e regular; algicida de choque é curativo, em dose alta. Para alga verde há formulações sem cobre — as com cobre podem manchar o revestimento e tingir cabelo claro, sobretudo com pH alto. Não aplique algicida no mesmo momento do cloro: as fontes divergem sobre o intervalo exato, mas convergem em não jogar os dois juntos.
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Filtre, aspire e feche o ciclo
Alga morta vira partícula em suspensão e a água tende a ficar leitosa — isso é sinal de que funcionou. Filtre, use clarificante se a turbidez for leve ou decantador se for forte, e aspire. Depois de tudo, limpe o cesto do skimmer e o pré-filtro, e retrolave: eles ficaram cheios de alga morta.
Quando chamar um profissional
Alga verde recém-aparecida, numa piscina com equipamento funcionando, é tratamento de fim de semana: escovar, corrigir pH, chocar e filtrar. Dá para fazer sozinho e a maioria faz.
Chame alguém quando a alga voltar na mesma semana depois do tratamento, quando a mancha não sair com escovação, quando houver suspeita de alga mostarda ou preta — que exigem protocolo mais longo e acompanhamento — e quando a piscina for de uso coletivo, porque aí há risco sanitário e a piscina deve ficar fora de uso até normalizar. A alga que volta sempre quase nunca é problema de produto: é zona morta de circulação, filtro que não retém ou rejunte que precisa de reparo.
Perguntas sobre alga na piscina
Depois da chuva a piscina fica ruim. O que fazer?
A chuva faz três coisas ao mesmo tempo: dilui o cloro, tende a baixar o pH e traz matéria orgânica, folha e terra para dentro da água. Em chuva forte ainda há o transbordo, que leva água tratada embora.
A rotina correta depois do temporal é peneirar o que caiu, testar pH e alcalinidade antes do cloro, corrigir, e deixar a filtração rodando mais tempo que o normal. Entre abril e julho, na quadra chuvosa da região, vale antecipar a visita em vez de esperar a água virar.
Qual a quantidade certa de cloro na piscina?
O parâmetro usual no Brasil é cloro residual livre entre 1 e 3 ppm. O que importa é medir, não contar tampinhas: a dose depende do volume da piscina, do consumo pelo sol e pelos banhistas e do que já existe na água.
Piscina em Pernambuco, com sol forte o ano inteiro, consome cloro mais rápido do que a média do país, principalmente quando não há estabilizante na dosagem correta.
Vocês atendem piscina de fibra, vinil e alvenaria?
Sim, os três. O que muda é o cuidado: vinil não aceita escovação agressiva nem produto aplicado direto sobre a manta, fibra risca com escova dura e pede atenção à linha d'água, e alvenaria com azulejo ou pastilha exige olhar o rejunte, onde a alga se instala e se esconde.
Tenho alga na parede mas a água está transparente. Preciso tratar?
Precisa, e quanto antes melhor. Colônia aderida é reserva: assim que o cloro cair — uma chuva forte, um fim de semana cheio, dois dias de bomba desligada — ela repovoa a água e a piscina muda de cor rápido.
Tratar nesse estágio é muito mais simples do que depois. Escovação, correção de pH e um choque costumam resolver, sem decantação e sem descarte de água.
Algicida sozinho resolve?
Raramente. Algicida de manutenção é preventivo: ajuda a segurar o crescimento numa piscina que já está equilibrada. Ele não substitui a desinfecção nem a escovação.
O produto encontra a camada protetora e não chega na colônia.
Como impedir que a alga volte?
Três hábitos resolvem a maior parte dos casos: manter o pH na faixa (com pH alto o cloro presente não trabalha), escovar paredes e degraus toda semana mesmo quando a água está boa, e garantir que todo o volume da piscina passe pelo filtro ao menos uma vez a cada 24 horas.
Aqui há ainda o fator local: entre abril e julho, na quadra chuvosa, a mesma piscina exige mais atenção do que em novembro. Vale antecipar a visita depois de temporal em vez de esperar a água virar.